O prato típico de Campo Mourão, o Carneiro no Buraco, será servido neste domingo, durante a 25ª Festa Nacional. O evento, promovido pelo município, deverá atrair mais de 100 mil visitantes, que serão acolhidos por um cortejo festivo, tendo à frente o mascote e a Rainha Juliana Calegher.
Este ano o município, contando com parcerias, investiu mais de R$ 450 mil em melhorias no Parque de Exposições Getúlio Ferrari, entre elas o aumento de mais 33 buracos, ampliando a capacidade para 180 tachos, que serão servidos por 13 entidades. Os convites custam R$ 30 (adulto) e R$ 15 (crianças de 5 a 8 anos).
Desde o dia 8, quando foi aberta a festa, diversas atrações artísticas e culturais abrilhantam o evento, inclusive com artistas de renome nacional. O ponto alto da noite deste sábado é o espetáculo “A guardiã do Fogo”, narrando a história do prato típico. Na sequência é realizado o acendimento do Pavilhão dos Buracos. O preparo dos tachos mais uma vez está a cargo da Associação Panela, responsável pela cozinha única.
O almoço neste domingo será servido a partir das 11 horas, após a abertura do buraco número 1, com a presença de autoridades, lideradas pela prefeita Regina Dubay. O rodeio também atrai um grande público. Este ano a atração está sob a responsabilidade da Companhia Giovany Araújo. A grande final será neste domingo, a partir das 17 horas, com a premiação de R$ 12 mil, incluindo a Prova de Tambores (feminino). O show musical de domingo será com a Banda Metrópole.
Outro atrativo da festa é o espaço para exposição de animais e comercialização de bovinos. A Exposição Feira Agropecuária, com leilão de gado, é realizada pelo Sindicato Rural e traz expositores até de outros estados. A qualidade dos animais e a importância do evento no calendário nacional, faz da Feira uma das primeiras em comercialização do Estado.
HISTÓRIA
A história do Carneiro no Buraco é cheia de curiosidades. Primeiro pela forma como é cozido e pela multiplicidade de ingredientes usados, além dos rituais que cercam a preparação.
A primeira experiência que se tem notícia do prato típico foi em 1962. Três pioneiros da cidade viram um filme em que vaqueiros preparavam alimentos sobre brasas, dentro de um buraco cavado no chão. Ênio Queiroz, Joaquim Teodoro de Oliveira e Saul Ferreira Caldas – todos já falecidos – resolveram experimentar esse inusitado sistema usando carne de carneiro.
Servido inicialmente em festas de amigos, o Carneiro no Buraco foi aperfeiçoado, ganhou fama, e na década de 80 passou a ser servido também quando autoridades visitavam Campo Mourão.
Em 1990, a confraria Boca Maldita encabeçou um movimento para oficializar a iguaria, já bastante popularizada, como prato típico do município.
LEI MUNICIPAL
No ano seguinte, em 1991, no mandato do prefeito Augustinho Vecchi, foi aprovada a lei municipal 731, que instituiu a Festa do Carneiro no Buraco, a ser realizada no segundo domingo de julho. A primeira festa foi em 1991, coordenada pelo artista plástico Tony Nishimura, quando foram servidos 70 tachos, para cerca de 4.200 pessoas.
Para padronizar a receita, o “mestre cuca” Tony Nishimura criou a Cozinha Única e introduziu a tampa cônica para o tacho e para os buracos. Também é atribuída a Nishimura a criação dos rituais simbólicos, como do Fogo, a Descida dos Tachos, a Banda do Carneiro e a retirada do primeiro tacho ao som do berrante. A partir de 1997, a Associação Panela assumiu o preparo do prato e desde então é responsável pela cozinha única da festa.
Do início do preparo até ser retirada do buraco, a iguaria demora de 10 a 12 horas para ficar pronta. Cada tacho pesa cerca de 40 quilos, suficiente para servir até 70 pessoas. Além da carne do carneiro, a receita tem frutas e legumes.
A Festa Nacional do Carneiro no Buraco projetou Campo Mourão por atrair visitantes de todo o Brasil e até mesmo de outros países. A iniciativa de Campo Mourão incentivou os demais municípios da região a também adotarem seus pratos típicos. Hoje, nossa região é referência no Brasil em turismo gastronômico.

Nenhum comentário:
Postar um comentário